Campo Grande (MS) – A Polícia Civil prendeu mais dois homens investigados por participação em uma sequência de homicídios ocorrida entre abril e maio nas cidades de Paranaíba, Aparecida do Taboado e Três Lagoas, no leste de Mato Grosso do Sul. As detenções, realizadas na quarta-feira (6), resultam de mandados cumpridos em cooperação com a Polícia Militar e com a Polícia Civil do estado de Mato Grosso. Os suspeitos são apontados como responsáveis pelo apoio logístico e financeiro de um grupo que, segundo as autoridades, planejou e executou pelo menos quatro assassinatos e duas tentativas de homicídio ligados a disputas no tráfico de drogas.
Operação Suppressio e primeiras prisões
Os novos mandados integram a Operação Suppressio, deflagrada pelo Setor de Investigações Gerais (SIG) da 1ª Delegacia de Paranaíba. A ofensiva começou na segunda-feira (4), quando Caíque Natan de Souza, 27 anos, foi preso em flagrante. Com ele, os investigadores apreenderam uma pistola calibre 9 milímetros, um revólver calibre .38 e diversas munições. De acordo com o inquérito, o suspeito teria atuado diretamente nas execuções registradas em Três Lagoas.
Com o avanço das investigações, a SIG de Paranaíba compartilhou informações com unidades de Aparecida do Taboado e de Três Lagoas, o que permitiu localizar outros dois integrantes da suposta organização criminosa. Os suspeitos estavam em Rondonópolis (MT) e tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça sul-mato-grossense. Equipes da Polícia Civil mato-grossense cumpriram os mandados de busca, apreensão e prisão, trazendo os detidos para Mato Grosso do Sul.
Crimes investigados
A série de homicídios começou em 13 de abril, em Paranaíba. Naquela noite, Lorran Marchesi Santos de Brito, 34 anos, conhecido como Kamikase, foi morto dentro de casa, no bairro Cohab Santa Rita de Cássia. Dois homens armados invadiram o imóvel e efetuaram 13 disparos de pistola 9 mm diante da esposa e da filha da vítima.
Sete dias depois, em 20 de abril, Gabriel Antônio Gois de Haro, 18 anos, foi assassinado em Aparecida do Taboado. Ele havia saído ao portão de casa, no Jardim Redentora, quando dois criminosos em uma motocicleta preta dispararam várias vezes, atingindo peito, abdômen e tornozelo. O pai ainda levou o jovem ao pronto-socorro, mas ele não resistiu.
Em 2 de maio, a violência alcançou Três Lagoas. Pedro Augusto Otaviano dos Santos, 19 anos, conhecido como Cabelinho, foi morto a tiros na Rua Michel Thomé após chegar a uma residência. Conforme a apuração, dois homens em motocicleta fizeram perguntas sobre outra pessoa e, em seguida, dispararam diversas vezes com pistola 9 mm. Um adolescente que estava no local foi ferido sem gravidade.
Na madrugada seguinte, em 3 de maio, os mesmos suspeitos teriam agido novamente em Três Lagoas. O alvo foi uma barraca de lanches no centro da cidade. Kailayne Mirela Espiridião, 19 anos, foi alvejada nove vezes depois que os autores anunciaram falsamente um assalto. O namorado dela, Gabriel dos Santos Souza, 19 anos, tentou protegê-la, sofreu ferimentos graves e morreu dois dias depois no hospital.
Linha investigativa
Segundo a Polícia Civil, os ataques apresentam características de execução planejada e visam demonstrar poder, intimidar rivais e consolidar domínio sobre pontos de venda de drogas. Ainda que não se confirme relação direta com disputas nacionais entre facções como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), os investigadores apontam influência de simpatizantes desses grupos na escolha das vítimas.
Os levantamentos indicam ainda que nenhuma das pessoas mortas possuía histórico de participação formal em facções, embora parte delas tivesse registros por uso ou comércio de entorpecentes. Para a polícia, o grupo evitou confrontos com integrantes armados de organizações rivais, optando por alvos considerados vulneráveis e com baixo poder de reação.
Próximos passos
Com três suspeitos já detidos, as equipes trabalham para esclarecer o papel específico de cada um nos homicídios e identificar eventuais mandantes. A investigação busca confirmar se os presos executaram pessoalmente os crimes ou se limitaram a coordenar logística, fornecer armas e repassar ordens. Perícias em aparelhos celulares, confronto balístico das armas apreendidas e coleta de depoimentos integram a próxima fase do inquérito.
A Polícia Civil mantém os nomes dos novos detidos sob sigilo até a conclusão das audiências de custódia. Os investigados permanecem à disposição da Justiça e podem responder por homicídio qualificado, organização criminosa e porte ilegal de arma de fogo. As penas somadas podem ultrapassar 30 anos de reclusão.
Denúncias sobre o paradeiro de eventuais foragidos ou informações que auxiliem na elucidação dos fatos podem ser encaminhadas de forma anônima pelo telefone 197, da Polícia Civil, ou pelo 190, da Polícia Militar. A Operação Suppressio segue em andamento sem prazo definido para encerramento.








