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Busca por orientações práticas faz conteúdos de finanças pessoais liderarem engajamento nas redes em 2025

Conteúdos relacionados a finanças pessoais passaram a concentrar o maior volume de interações nas principais redes sociais brasileiras no segundo semestre de 2025, superando temas como política e economia. A constatação faz parte da 10ª edição do estudo FInfluence, elaborado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) em parceria com o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (Ibpad).

O levantamento monitora, desde 2020, o desempenho de centenas de perfis dedicados a assuntos financeiros em plataformas como X, YouTube, Instagram e Facebook. Entre julho e dezembro de 2025, publicações sobre finanças ligadas ao cotidiano — como controle de gastos, uso do cartão de crédito e planejamento do orçamento — registraram média de 5.063 interações por postagem, número que garantiu a liderança no ranking de engajamento.

Na mesma janela de comparação, postagens que abordam política brasileira somaram 4.574 interações, ficando em segundo lugar. Assuntos ligados à economia nacional ocuparam a terceira posição, com 4.089 interações por conteúdo. Apesar de ainda relevantes, esses dois temas vinham dominando o debate digital na primeira metade do ano, situação que se inverteu no semestre seguinte.

De acordo com o estudo, a produção de conteúdos sobre finanças pessoais, política e economia brasileira cresceu 11,6% entre influenciadores financeiros no período analisado. O engajamento do público nessas pautas, entretanto, avançou de forma mais acelerada: alta de 21,3%. Já as publicações centradas em produtos financeiros sofreram retração de 19% na média de interações.

Os números indicam que, em um cenário econômico considerado instável, os usuários demonstram preferência por informações aplicáveis no dia a dia, em detrimento da divulgação de ofertas ou instrumentos de investimento. A leitura da Anbima é que o público busca interpretação do ambiente macroeconômico traduzida em conselhos práticos, capazes de contribuir para a organização das finanças domésticas e a busca por estabilidade.

Essa mudança de foco se tornou evidente no segundo semestre de 2025. Até junho, a maior parte das interações estava associada a discussões sobre política e indicadores macroeconômicos. A partir de julho, temas práticos passaram a ganhar espaço, refletindo o interesse das famílias em lidar com pressões sobre renda, aumento do endividamento e necessidade de equilibrar o orçamento mensal.

Entre os conteúdos mais compartilhados ou comentados, destacam-se vídeos e textos que explicam de maneira objetiva como evitar o uso excessivo do crédito rotativo, estruturar uma planilha de gastos ou definir metas de poupança. Relatos pessoais sobre como complementar a renda e dicas para reduzir despesas fixas também apareceram com frequência nas publicações de maior alcance.

Para marcas e criadores de conteúdo, a pesquisa sinaliza que o diferencial competitivo deixou de estar na simples apresentação de produtos financeiros. O engajamento tende a ser maior quando as informações são convertidas em orientações práticas, ajustadas à realidade de quem acompanha o conteúdo. Esse movimento obriga empresas, bancos e corretoras a repensarem suas estratégias de comunicação digital.

A Anbima ressalta que o público não abandonou o interesse por política ou economia, mas que a prioridade passou a recair sobre materiais que ofereçam passo a passo, exemplos concretos ou ferramentas de uso imediato. Essa valorização do caráter utilitário reforça a importância de linguagem acessível e abordagem didática por parte dos influenciadores financeiros, também chamados de finfluencers.

No recorte temporal analisado, o estudo detectou que o engajamento deixou de se concentrar no tema mais discutido para se fixar no conteúdo que apresenta maior potencial de aplicação direta. Em outras palavras, o que gera cliques, comentários e compartilhamentos é a capacidade do material de responder a problemas cotidianos — como renegociar dívidas, entender tarifas bancárias ou planejar compras de longo prazo.

A décima edição do FInfluence consolida uma tendência vista em edições anteriores: o aumento consistente da demanda por educação financeira. Desde o início da série histórica, em 2020, o volume de perfis dedicados ao tema segue em expansão, e o envolvimento do público cresce à medida que surgem orientações direcionadas às dificuldades reais enfrentadas pelos brasileiros.

No fechamento de 2025, a combinação de inflação, juros e endividamento destacou a necessidade de instrução clara para lidar com o dinheiro. A pesquisa conclui que, em períodos de incerteza, o público prefere conteúdos capazes de oferecer soluções imediatas às suas finanças, relegando a segundo plano divulgações institucionais ou enfocadas exclusivamente em produtos de investimento.

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