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Fórum em Campo Grande discute custos da saúde, inovação tecnológica e prevenção para garantir sustentabilidade do setor

Cerca de 50 empresários, gestores públicos e especialistas reuniram-se na manhã de terça-feira, 23, na Casa da Indústria, sede da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), em Campo Grande, para avaliar caminhos que tornem o sistema de saúde financeiramente sustentável e mais acessível. O encontro, batizado de Fórum LIDE Saúde Cassems, foi organizado pelo LIDE Mato Grosso do Sul, pela Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de Mato Grosso do Sul (Cassems) e pelo Grupo RCN.

Os participantes centraram as discussões em dois eixos principais: a escalada inflacionária dos custos médicos e a adoção de inovações capazes de otimizar atendimentos na rede pública e privada. A visão predominante é de que o setor deixou de ser apenas prestador de serviços assistenciais e passou a ocupar posição estratégica na economia, exigindo gestão de custos compatível com outros segmentos de mercado.

Ao analisar o cenário financeiro, o presidente da Cassems e médico cardiologista, Ricardo Ayache, observou que o ritmo de crescimento das despesas assistenciais supera a evolução da renda das famílias brasileiras. Segundo ele, o desafio central é equilibrar preço, cobertura e acesso, condição indispensável para que operadoras de planos de saúde continuem viáveis sem repassar integralmente a alta dos insumos ao usuário final.

Para o presidente do LIDE-MS, Aurélio Rocha, levar o debate ao ambiente corporativo sul-mato-grossense tornou-se necessário porque o segmento de saúde responde por parcela relevante do Produto Interno Bruto, movimenta cadeias produtivas de tecnologia, serviços e indústria farmacêutica e influencia diretamente a produtividade dos demais setores.

Dentro desse contexto, a transformação digital apareceu como ferramenta prioritária para ampliar alcance e reduzir custos, sobretudo em regiões extensas e pouco povoadas, caso de Mato Grosso do Sul. O médico Romeu Domingues, conselheiro da Dasa e da Conexa Saúde, apresentou soluções baseadas em telemedicina integrada a dispositivos inteligentes conectados por inteligência artificial. O modelo utiliza triagens presenciais realizadas por equipes de enfermagem locais; os dados são transferidos via Bluetooth para prontuários eletrônicos de especialistas que, a distância, completam o atendimento. A proposta diminui deslocamentos rodoviários, diminui o absenteísmo nas empresas e facilita o acesso a cardiologistas, otorrinolaringologistas, pneumologistas e pediatras em municípios remotos.

Além de tecnologia voltada ao diagnóstico e ao tratamento, o fórum abriu espaço para iniciativas de bem-estar e prevenção ativa. A empresária Evelyn Charro, fundadora da indústria de suplementos alimentares Mixnutri, relacionou a busca por longevidade ao aumento da demanda por produtos nutricionais que complementem dieta equilibrada, prática regular de atividade física e sono adequado. No entendimento da executiva, a suplementação não substitui hábitos saudáveis, mas pode reduzir a incidência de doenças crônicas e a necessidade de procedimentos de alta complexidade.

Abordando a prática esportiva como política pública de saúde, a CEO da Maratona de Campo Grande, Kassilene Cardadeiro, apresentou dados sobre os impactos econômicos e biológicos de eventos de corrida de rua. Conforme destacou, a movimentação de milhares de atletas estimula a cadeia de turismo e gera benefícios mensuráveis em indicadores metabólicos e de saúde mental. A edição deste ano da maratona, prevista para reunir seis mil participantes na capital sul-mato-grossense, foi citada como exemplo de intervenção coletiva de baixo custo que contribui para a redução de despesas médicas futuras.

No fechamento das apresentações, representantes das operadoras de planos de saúde reforçaram a necessidade de políticas de financiamento que considerem a incorporação de novas tecnologias sem comprometer a sustentabilidade dos convênios. Ao mesmo tempo, entidades empresariais defenderam que projetos de prevenção e promoção da saúde sejam integrados aos programas de qualidade de vida nas empresas, estimulando boa alimentação, atividade física e acompanhamento médico periódico como estratégia para conter a alta dos sinistros.

O Fórum LIDE Saúde Cassems encerrou-se com a sinalização de novos encontros temáticos ao longo do ano, voltados ao detalhamento de modelos de remuneração baseados em valor, uso de dados para gestão de risco e parcerias público-privadas focadas na expansão do atendimento especializado em regiões de difícil acesso. Os organizadores avaliaram que a interlocução entre governo, iniciativa privada e setor assistencial é condição essencial para enfrentar a pressão inflacionária sobre o sistema e, simultaneamente, garantir que a população tenha acesso a cuidados de qualidade em todo o estado.

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