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Homem é preso em Batayporã após esfaquear enteado e ameaçar novas agressões

Batayporã (MS) – Um homem de 52 anos foi detido em flagrante na tarde de segunda-feira (22) após ferir o enteado de 30 anos com um golpe de canivete no pescoço e machucar a companheira, de 53, durante uma discussão familiar. O ataque, registrado como tentativa de homicídio e lesão corporal, ocorreu em meio a um histórico de quase duas décadas de violência doméstica.

Suspeito se apresentou à delegacia e confessou agressão

O episódio começou quando o próprio autor procurou a Delegacia de Polícia Civil de Batayporã. De maneira espontânea, ele informou aos investigadores que havia atingido o enteado com um canivete. Diante da confissão, equipes policiais seguiram imediatamente até a casa da família para verificar a situação e, em seguida, dirigiram-se ao Pronto-Socorro Municipal, onde as vítimas estavam em atendimento.

No hospital, os agentes confirmaram que o jovem apresentava um corte profundo no pescoço. O ferimento exigiu sutura para conter o sangramento. A mãe da vítima, que também é companheira do suspeito, sofreu lesões no braço direito. Segundo a apuração preliminar, ela foi atingida ao tentar se colocar entre o agressor e o filho na tentativa de impedir que o ataque prosseguisse. Apesar da intervenção, o homem conseguiu desferir o golpe na região cervical do enteado.

Comportamento agressivo continuou dentro da unidade policial

Depois de detido e conduzido novamente à delegacia, o suspeito manteve postura violenta. De acordo com o registro policial, ele permaneceu exaltado e, em voz alta, ameaçou “terminar o serviço” caso o enteado retornasse à residência da família. As declarações foram feitas na presença de agentes e incluídas no boletim de ocorrência como indício de risco iminente de novos atos de violência.

Quase 20 anos de histórico de abusos

O levantamento de antecedentes efetuado pela Polícia Civil revelou que o casal acumula ocorrências de violência doméstica há aproximadamente 19 anos. Os investigadores classificaram a agressão desta segunda-feira como o ponto culminante de uma escalada progressiva de abusos físicos e psicológicos que se intensificaram ao longo do tempo. O inquérito aponta que discussões constantes, ameaças e agressões esporádicas já haviam sido registrados em datas anteriores, mas não resultaram em lesões tão graves quanto as constatadas agora.

Para a polícia, a reincidência e a severidade dos fatos reforçam a necessidade de medidas cautelares. O delegado responsável pelo caso destacou nos autos que o comportamento do suspeito demonstra desprezo pelas medidas legais e coloca em risco não apenas o enteado, mas também outros familiares e vizinhos que possam tentar intervir em futuras discussões.

Procedimentos médicos e estado das vítimas

O enteado recebeu atendimento de emergência logo após a chegada ao pronto-socorro. Médicos realizaram procedimento de sutura no corte do pescoço e monitoraram sinais vitais para descartar complicações internas. Apesar da gravidade do local atingido, o jovem não apresentou comprometimento de vias aéreas ou grandes vasos sanguíneos, permanecendo em observação sem previsão inicial de cirurgia adicional.

A mãe, por sua vez, teve escoriações no braço direito causadas pelo canivete durante a tentativa de interromper o ataque. Ela foi medicada, submetida a curativos e liberada após avaliação clínica. Ambos foram orientados a retornar à unidade de saúde em caso de dor, sangramento ou sinais de infecção.

Pedido de prisão preventiva

Considerando a admissão voluntária do crime, a natureza violenta do ato, as ameaças reiteradas e o histórico de agressões, a Polícia Civil encaminhou ao Poder Judiciário um pedido de conversão da prisão em flagrante para prisão preventiva. O objetivo é manter o investigado detido enquanto tramita o inquérito, prevenindo o risco de novos delitos contra os familiares.

O procedimento segue agora para análise do Ministério Público e, em seguida, decisão do juiz competente. Caso a prisão preventiva seja decretada, o suspeito deverá permanecer no estabelecimento penal de Nova Andradina até eventual audiência de custódia ou término da instrução processual. Enquanto isso, a investigação prossegue para reunir laudos médicos, depoimentos e demais provas que subsidiarão a denúncia por tentativa de homicídio qualificado e lesão corporal no contexto da Lei Maria da Penha.

Se condenado, o homem poderá responder por penas que, somadas, podem ultrapassar 20 anos de reclusão, considerando as qualificadoras de motivo fútil, uso de arma branca e violência contra mulher em âmbito doméstico. Até a conclusão do processo, a polícia reforça a orientação para que a vítima e demais familiares mantenham distância do suspeito e acionem imediatamente as autoridades em caso de qualquer sinal de represália ou novo contato.</p

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