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Mato Grosso do Sul integra IA às escolas e lança CEP Digital rural em parceria com Google

Mato Grosso do Sul deu início a uma nova etapa de sua estratégia de transformação digital ao firmar parceria com o Google para introduzir inteligência artificial (IA) na rede estadual de ensino e criar um CEP Digital para propriedades rurais. A cooperação faz parte do programa “Raízes do Futuro”, apresentado pelo governador Eduardo Riedel como vetor de inovação, conectividade e uso de dados para ampliar a eficiência dos serviços públicos.

Inteligência artificial para 167 mil estudantes

O acordo prevê a oferta da plataforma Gemini, ferramenta de IA do Google, a aproximadamente 167 mil alunos da Rede Estadual de Ensino. Antes da liberação ao público estudantil, a Secretaria de Estado de Educação (SED) organizará capacitação específica para os docentes, etapa considerada decisiva pelo titular da pasta, Hélio Queiroz Daher, para que a tecnologia seja aplicada de forma correta e alinhada aos planos pedagógicos.

O cronograma de formação vem sendo elaborado e incluirá orientações sobre a utilização da IA em disciplinas como Matemática, Ciências, Geografia e Linguagens. A integração ocorrerá gradualmente e deverá servir como apoio ao trabalho em sala de aula, sem substituir o papel do professor, segundo a SED.

O acesso dos alunos será feito pelas contas institucionais já existentes na plataforma educacional do Google, em ambiente restrito à comunidade escolar. De acordo com representantes da empresa, não haverá compartilhamento externo de informações pessoais, e as normas brasileiras de proteção de dados serão respeitadas.

Uso orientado de dispositivos móveis

A chegada do Gemini reforça a política de uso orientado de tecnologia já praticada na rede estadual. Embora celulares tenham restrições em sala de aula, o equipamento poderá ser empregado em atividades planejadas pelos professores, como consultas georreferenciadas em Geografia ou pesquisas assistidas pela IA.

Para assuntos sensíveis, a SED dispõe de monitoramento de pesquisas e acompanhamento da Coordenadoria de Psicologia Educacional. A secretaria também pretende ampliar filtros de proteção em cooperação com o Google para adequar o conteúdo ao ambiente escolar.

Conectividade em regiões remotas

O governo estadual avança na expansão da internet em áreas rurais com a instalação de conexões via satélite. Escolas localizadas em pontos de difícil acesso, incluindo a Ilha Ínsua, já contam com sinal que, segundo a SED, supera em qualidade algumas regiões urbanas de Campo Grande. A conectividade é vista como requisito indispensável para garantir equidade no acesso às ferramentas digitais oferecidas aos estudantes.

CEP Digital Rural mapeia 24 mil propriedades

Outro eixo da parceria é o desenvolvimento do CEP Digital Rural, sistema que converte coordenadas geográficas em códigos alfanuméricos semelhantes a um CEP tradicional, mas com precisão de até três metros quadrados. A primeira fase abrangerá cerca de 24 mil propriedades que possuem Cadastro Ambiental Rural (CAR) avançado e dados georreferenciados consolidados.

A identificação digital utilizará imagens de satélite, registros cartográficos e informações do Google Street View para traçar acessos e rotas. A expectativa é agilizar atendimentos de emergência, serviços de fiscalização sanitária, assistência técnica agropecuária, entregas e deslocamento de ambulâncias, além de reduzir erros decorrentes de descrições imprecisas.

O Pantanal, onde caminhos variam em função de cheias e vazantes, é apontado como desafio particular. Técnicos da companhia avaliam soluções específicas para manter a acurácia das rotas na região.

Impacto no transporte escolar

Cerca de 19 mil estudantes residentes em áreas rurais poderão ser beneficiados indiretamente pelo CEP Digital. Com o mapeamento detalhado de propriedades e estradas, o governo pretende otimizar trajetos de ônibus escolares, diminuir tempo de viagem, reduzir riscos e cortar custos de manutenção e combustível.

Modelo de parceria e custos

A cooperação com o Google está estruturada para vigorar inicialmente por três anos, com possibilidade de renovação. Nesta fase, não haverá custos diretos para o Estado. Segundo a empresa, Mato Grosso do Sul foi escolhido por reunir ambiente acadêmico ativo, setor empresarial envolvido e interesse de investidores, condições consideradas propícias à criação de soluções replicáveis em outras regiões do país e em projetos internacionais.

Além de oferecer ferramentas, o acordo contempla apoio técnico para desenvolvimento responsável de IA, alinhado à legislação nacional, e intercâmbio de conhecimento com a Universidade de São Paulo (USP) para estabelecer parâmetros de uso adequados para diferentes perfis de usuário.

Com a integração da inteligência artificial às escolas e a implantação do CEP Digital, o governo sul-mato-grossense busca consolidar uma base permanente de inovação que atenda educação, agronegócio e serviços públicos, ampliando o alcance de programas já em andamento e estabelecendo novas referências para a gestão digital no Brasil.

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