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Programa de Aquisição de Alimentos injeta R$ 9,1 milhões e reforça economia de Mato Grosso do Sul

O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) tem movimentado a economia de Mato Grosso do Sul ao direcionar recursos diretamente para a agricultura familiar e, simultaneamente, ampliar o abastecimento de instituições que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade. No momento, editais em execução somam mais de R$ 9,1 milhões, valor que permanece circulando nos próprios municípios e incentiva a permanência das famílias produtoras no campo.

A iniciativa estará em debate no Seminário Estadual do PAA, marcado para esta quarta (6) e quinta-feira (7), no Bioparque Pantanal, em Campo Grande. O encontro reunirá agricultores, gestores municipais, representantes de entidades assistenciais e órgãos estaduais com o objetivo de alinhar estratégias, trocar experiências e aprimorar a gestão dos recursos para ampliar o alcance do programa em todas as regiões do Estado.

Investimentos acumulados e resultados

Desde 2021, o governo sul-mato-grossense já destinou mais de R$ 21,8 milhões ao PAA. Nesse período, foram adquiridos mais de 1,5 milhão de quilos de alimentos — entre frutas, hortaliças, cereais, leguminosas, proteínas de origem animal e derivados —, além de 206 mil litros de leite pasteurizado. Os produtos comprados sem licitação são encaminhados à rede socioassistencial, a escolas públicas e a equipamentos de segurança alimentar, garantindo variedade e qualidade nutricional às famílias atendidas.

Somente nos primeiros meses de 2026, o Estado distribuiu mais de 381 mil quilos de alimentos por meio do programa. Os lotes contemplam itens frescos e processados, assegurando regularidade no fornecimento às unidades receptoras e contribuindo para reduzir a insegurança alimentar nas comunidades beneficiadas.

Três modalidades em funcionamento

Atualmente, o PAA no Estado opera em três modalidades. O PAA Indígena adquire produtos de aldeias, fortalecendo a produção comunitária e respeitando especificidades culturais. O PAA Quilombola concentra-se nos territórios remanescentes de quilombos, garantindo escoamento da produção e geração de renda local. Já o PAA Ampla Concorrência abrange demais agricultores familiares cadastrados, permitindo que um número maior de municípios seja contemplado.

Essas três frentes, segundo a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), potencializam a circulação de recursos dentro dos limites municipais. Ao vender para o PAA, o produtor recebe pagamento direto, sem intermediários, fator que estimula a continuidade da atividade rural e favorece a sucessão familiar no campo.

Impactos socioeconômicos

De acordo com a Secretaria Executiva de Agricultura Familiar, o modelo de compra direta amplia a soberania alimentar e o desenvolvimento sustentável. Ao reduzir etapas logísticas e burocráticas, o alimento fresco chega com maior agilidade às instituições e comunidades atendidas, enquanto o valor pago pelo governo permanece na região produtora, gerando efeito multiplicador sobre o comércio local, serviços e cadeia de suprimentos.

Para o titular da Semadesc, Artur Falcette, o PAA cumpre papel estratégico ao conectar oferta e demanda de forma simultânea: de um lado, é instrumento de renda aos pequenos produtores; de outro, fortalece a política de segurança alimentar ao garantir itens nutritivos a quem mais precisa. O seminário estadual, segundo ele, servirá para avaliar resultados, identificar gargalos e propor melhorias que elevem o número de famílias beneficiadas.

Objetivos do seminário

No decorrer dos dois dias de programação, estão previstos painéis técnicos sobre operacionalização de editais, prestação de contas, acompanhamento de entregas e articulação intersetorial. Gestores municipais apresentarão experiências bem-sucedidas, enquanto representantes de associações e cooperativas relatarão desafios e avanços obtidos na organização da produção, na logística de transporte e no cumprimento de padrões sanitários exigidos.

Também serão discutidas ações de capacitação contínua para produtores, com foco em boas práticas agrícolas, diversificação de culturas e manejo sustentável. A intenção é ampliar a variedade de itens ofertados, ajustando-os às necessidades nutricionais das instituições receptoras e alinhando o calendário de colheita ao cronograma de entregas.

Perspectivas

A expectativa do governo estadual é que os debates resultem em novos instrumentos de apoio técnico e financeiro capazes de impulsionar os editais futuros. A priorização do público feminino, de jovens rurais e de empreendimentos da economia solidária deve permanecer no centro das próximas chamadas, reforçando a inclusão produtiva e a geração de renda.

Com a manutenção do fluxo de recursos — mais de R$ 9,1 milhões em contratos atualmente vigentes — e o planejamento articulado entre órgãos de governo, agricultores e entidades da assistência social, a perspectiva é de que o PAA continue a cumprir dupla função: dinamizar a economia agrícola de pequena escala e garantir alimentação adequada às populações em situação de vulnerabilidade em Mato Grosso do Sul.

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