A arrecadação da Prefeitura de Campo Grande alcançou R$ 1,28 bilhão nos primeiros quatro meses de 2026, montante 4,32% superior ao registrado em igual período de 2025. Apesar do incremento, vereadores cobraram melhorias na oferta de serviços públicos durante audiência de prestação de contas realizada nesta sexta-feira (29) na Câmara Municipal.
Os dados constam do relatório de metas fiscais apresentado pelo secretário municipal de Fazenda, Isaac José de Araujo. Em 2025, a receita acumulada até abril havia somado R$ 1,23 bilhão. O crescimento deste ano foi impulsionado principalmente pelo Imposto Sobre Serviços (ISS), que avançou 6,34% e atingiu R$ 239,1 milhões. Já o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) ficou praticamente estável: R$ 367,1 milhões, alta de apenas 0,34% frente ao exercício anterior.
Presidente da Comissão de Finanças e Orçamento, o vereador Otávio Trad questionou a discreta variação do IPTU, lembrando que o tributo passou por alterações de cálculo em 2026. O parlamentar também solicitou informações sobre os resultados esperados com a reforma administrativa implementada pela prefeitura. Segundo ele, a redução do limite prudencial de gastos com pessoal foi registrada, porém permanece distante da meta projetada.
Durante a audiência, o principal foco de críticas foi a qualidade dos serviços oferecidos à população. A vereadora Luiza Ribeiro observou que as reclamações sobre infraestrutura urbana, como manutenção de vias, e sobre atendimento na rede de saúde continuam recorrentes. Para ela, o aumento da receita ainda não se reflete em melhorias percebidas pelos moradores.
No mesmo sentido, o vereador Ronilço Guerreiro afirmou que o sentimento predominante entre os contribuintes é de frustração, pois problemas como buracos em ruas e filas extensas nas unidades de saúde persistem. Ele ressaltou que a sociedade espera contrapartidas proporcionais ao crescimento da arrecadação municipal.
O comprometimento da folha de pagamento com a Receita Corrente Líquida (RCL) também gerou preocupação. Atualmente, o município direciona 53,9% da RCL para despesas com pessoal, percentual superior ao limite prudencial de 51,3% estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. O vereador Maicon Nogueira avaliou que a margem reduzida pode dificultar futuras negociações de reajuste salarial com servidores e, ao mesmo tempo, reduzir recursos disponíveis para investimentos, sobretudo em saúde.
Ao responder aos questionamentos, o secretário de Fazenda atribuiu o aumento das despesas de pessoal aos reajustes já concedidos ao funcionalismo e a obrigações legais na área de educação. Ele observou que a administração municipal tenta equilibrar receitas e gastos, mas reconheceu a complexidade da tarefa diante de limitações impostas pela legislação fiscal.
A regularização de pagamentos a fornecedores, em especial os vinculados à saúde, foi outro ponto debatido pelos parlamentares. Isaac José de Araujo admitiu a existência de pendências e informou que a prefeitura elabora um cronograma para quitar os débitos. Entretanto, não detalhou prazos nem valores.
No campo das transferências estaduais, os repasses de ICMS totalizaram R$ 174 milhões no quadrimestre, mesmo valor obtido em 2025. Em contrapartida, a arrecadação do IPVA cresceu 7,9%, atingindo R$ 176,6 milhões. Os números, segundo o secretário, ajudam a compensar variações em tributos municipais, mas não eliminam a necessidade de ajustes internos nas contas da prefeitura.
Questionado sobre investimentos em políticas públicas, Isaac José de Araujo declarou que a meta da administração é ampliar gradualmente a destinação de recursos para a saúde. A expectativa é elevar o percentual aplicado no setor para aproximadamente 29% até dezembro, acima da exigência constitucional de 15%. O secretário justificou a prioridade ao afirmar que o sistema municipal continua pressionado por demandas crescentes de atendimentos ambulatoriais e hospitalares.
A audiência foi finalizada com a promessa de novos encontros periódicos entre o Executivo e o Legislativo para acompanhar a execução orçamentária. Os vereadores reforçaram que esperam resultados concretos na melhoria dos serviços ao longo do ano, sobretudo nas áreas de infraestrutura e saúde, consideradas mais sensíveis pela população.









