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Senador defende esgotar diálogo antes de acionar lei de reciprocidade contra tarifas dos EUA

O senador Nelsinho Trad (PSD-MS) afirmou que o Brasil deve priorizar as negociações diplomáticas antes de recorrer à lei de reciprocidade para responder às sobretaxas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, o parlamentar considera que o país dispõe de instrumentos legais para reagir, mas avalia que a aplicação imediata seria precipitada.

Em entrevista concedida à CNN Brasil, Trad comparou uma retaliação apressada a “subir no ringue para brigar com alguém mais forte”. Na visão do senador, a estratégia mais eficaz é tentar incluir setores nacionais na lista de exceções norte-americanas, evitando perdas para exportadores que investiram para atender às exigências do mercado dos EUA.

A lei de reciprocidade autoriza o governo brasileiro a adotar medidas proporcionais sempre que parceiros comerciais criam barreiras a produtos do país. Apesar de reconhecer a utilidade do dispositivo, Trad sustenta que sua utilização deve ocorrer somente depois de esgotadas todas as alternativas de diálogo. Segundo ele, uma resposta mal calibrada pode gerar prejuízos adicionais à indústria e ao agronegócio brasileiros.

Com o objetivo de preparar possíveis estratégias, o senador acionou a Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão que reúne diversos ministérios e coordena parte da política comercial externa. A Comissão de Relações Exteriores, acrescentou, possui equipe técnica apta a analisar impactos das tarifas, orientar empresas e articular soluções com o Executivo.

Trad colocou a comissão à disposição de entidades produtivas, ressaltando que a intenção é evitar medidas improvisadas. Caso as negociações não avancem, o grupo pretende apresentar avaliações jurídicas, econômicas e políticas que sustentem eventual retaliação, diminuindo riscos de novas barreiras ou de contestações em organismos internacionais.

Entre as alternativas em estudo está o envio de uma nova missão parlamentar e empresarial a Washington. O senador já participou de articulações semelhantes em episódios anteriores e avalia que conversas diretas com congressistas e integrantes do governo norte-americano podem destravar impasses. Ele defende que representantes do Executivo, do Legislativo e do setor privado participem conjuntamente da iniciativa.

Para Trad, a manutenção de empregos e contratos conquistados ao longo de anos é prioridade. O parlamentar observa que empresas brasileiras investiram para cumprir padrões sanitários, ambientais e de qualidade exigidos pelos Estados Unidos; mudanças súbitas, alerta, criam insegurança jurídica e podem levar exportadores a abandonar aquele mercado.

Durante reuniões passadas em Washington, o senador disse ter questionado a justificativa das barreiras, lembrando que a balança comercial é favorável aos norte-americanos. Na avaliação do congressista, as tarifas podem reduzir vendas de ambos os lados e estimular o Brasil a aprofundar relações com outros parceiros globais, o que diminuiria oportunidades para companhias dos EUA.

O parlamentar sugere uma articulação em dois eixos. No plano interno, o governo federal deve apoiar financeiramente e tecnicamente os setores prejudicados. No plano externo, precisa dialogar com Washington para ampliar exceções e, se possível, suspender integralmente as sobretaxas. Ele recorda que os Estados Unidos já concederam tratamentos diferenciados em situações anteriores, sinal de que a porta de negociação permanece aberta.

Trad também defende um encontro de alto nível entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Joe Biden. Embora ministros e técnicos contribuam para soluções, afirma, algumas definições requerem aval direto dos chefes de Estado. Na mesma linha, elogia a condução “prudente e técnica” do vice-presidente Geraldo Alckmin, titular do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, mas sustenta que novas frentes de contato precisam ser abertas.

O senador cita ainda o interesse norte-americano em minerais estratégicos brasileiros, especialmente terras raras usadas pela indústria de tecnologia, energia e defesa. Para ele, o tema pode ser inserido em uma pauta mais ampla de cooperação econômica, desde que sejam preservadas a soberania nacional e o controle dessas reservas pelo Estado brasileiro.

Trad adverte que o debate comercial não deve ser instrumentalizado por disputas eleitorais. Segundo o congressista, diferentes correntes políticas podem divergir sobre métodos de reação, porém a proteção de empregos e da competitividade nacional deve prevalecer. O Parlamento, afirma, continuará monitorando o tema e oferecendo suporte técnico ao Executivo.

Enquanto negociações seguem, o senador recomenda que as empresas mapeiem cenários e mantenham diálogo contínuo com governo e entidades de classe. Caso todas as tratativas fracassem, observa, a lei de reciprocidade permanecerá disponível como resposta proporcional. “O instrumento existe; a questão é escolher o momento certo de usar”, conclui.